terça-feira, 1 de novembro de 2011

Linhas do destino


Linhas do destino

Sei quem em algum lugar dentro de mim
Vai suscitar a tua falta, ou que irá sussurrar
O vento a tua ausência em meus ouvidos...
O destino é como o sopro de uma suave ventania,
Sem percebemos tudo muda de direção
Num momento, tudo que era exato se torna vão...

De repente sou arrastado
Por caminhos que não quero trilhar
Mas é inevitável tomá-los
Como num sopro em meio ao vão
Tudo que é sólido se dissipa
Como grãos de areia na imensidão

Você percebe que não há mais volta,
Por que afinal, o destino muitas vezes
Envolve a vontade de outras pessoas

Assim com as escolhas que restam,
Resta-me apenas seguir em frente,
Mesmo que não seja o rumo que escolhi,
Mas sim o destino que tu me deste

sábado, 29 de outubro de 2011

O acaso do destino

O acaso do destino

O que é esta vida
Além de uma sucessão
De acasos
Que se apresentam
Sucessivamente?

O que é o destino
Além de como
Reagimos ao acaso?

Suave é viver
A cada momento
Trazendo em mãos
Nosso destino,

A cada traço
No acaso
Possamos perfumar
Nossa existência

Talvez seja a eternidade
Os momentos que podemos
Aproveitar no hoje...

Apenas um sopro


Apenas um sopro


Temo Ana o soprar
Destes fortes ventos
Os arrepios que causam
Ao falarem do meu destino
Ao pé do meu ouvido...

Sim Ana, temo
Este sopro vão
E tudo que nele
 Prenuncia-se

Um caminho sem fim,
Ou a dor da solidão
Destes ventos cortantes
Que atravessam
As minhas noites...

Quem sabe trazem eles
Resquícios distorcidos
Do que sou, ou como
Se eu fosse fragmentos
De mim mesmo, ou apenas
Como este vento, um sopro...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Buscando


Buscando

Sento-me no convés
Olho pro mar passando
Ouço o seu triste canto
Que me vai ressoando
No som destas marés
Formando doce manto.

Veja as belas gaivotas
Traçando novas rotas,
Mas continuam bailando
Sob novos horizontes
Entrelaçando os montes
Vai meu dia se findando,

Posso ver no horizonte
Este efêmero luar
Inundar minha fronte
Não tenho mais temores
Sei que já posso voar,
Provar novos amores...

Vejo o bailar das baleias
Que vão sendo embaladas
No doce som mareante
Deste mar tão gigante
E de mil e uma toadas
Enamorando as sereias

Sim, eu chorei no cais
Era hora de partir,
Mesmo já tão distante
Tu não podes me ouvir
Nem ver em meu semblante
A falta que tu faz!

Por estes loucos mares
Deixei naquele cais
A minha nau sem porto
Fazendo um traço torto
Nestes encontros casuais
Corretos ou vulgares.

Içando minhas velas
Pra fora da nostalgia
E pintar outras telas
Talvez um novo porto
Que me traga conforto,
Um pouco de harmonia.


Eu sigo navegando
E teu cais vai ficando
Preso no meu passado,
Pois, passado – presente,
É só um presente-ausente
A ser abandonado...

E mais longe eu velejo,
Olhando pro horizonte,
Já não vejo o teu cais,
Eu vou buscando os sinais
Que tinham na tua fronte.
Fonte deste desejo,

Sobejo e desmedido
De um marujo sem nau,
Mais um náufrago cego
No louco ventar do ego,
Neste mar colossal
De um coração partido.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Tábuas da vida


Tábuas da vida


É hora de preparar as velas,
Iço-as na direção do vento
Do meu coração tiro as celas
Enlaçada no meu pensamento...

Levanta a âncora! Eu ordeno!
Ó alma! Partir se faz preciso
Já não é firme o chão que piso
Ficou incerto o velho terreno,

Vinde ó alma para este veleiro!
Vem içar as velas nos mastros
Acima de nós apenas os astros
Apontam o caminho verdadeiro

Parto, pois, já me sinto morto!
O desconhecido é que me seduz
Deixo a beleza dos olhos azuis
Ancorados no meu velho porto,

Parto na alva luz da madrugada
Para não deixar qualquer vestígio
Que possa me lembrar deste exílio
De quem alheia a mim vive calada,

Rumamos para a ilha dos açores
Desbravadores por excelência
Provando uma nova existência,
De nós mesmos seremos atores,

A cada ato do destino seguiremos
Encenando a vida e outros portos,
Em capítulos retos, outros tortos
Ao passar cada um evoluiremos...

Passaremos pelas primaveras
As tardes de verão ensolaradas,
O outono de flores debruçadas,
Invernos de torpezas severas,

Estações de sabores enganosos
Ventre de correntezas efervescentes
Fazem das tuas luxurias correntes
Âncora dos teus enleios pantanosos

Mais e mais águas vêm adiante
E a nossa distância já é ínfima
Da minha essência marítima
E o ínfimo reflete no semblante,

Quem pode revelar a sua longitude
Dos seus mil eflúvios inquietos
De meus poemas livres e sonetos
Descrevendo toda a sua plenitude

Meu coração pega fogo nos seios
De uma formosa mulher praiana
Em outros mil braços ele se engana,
Após se multiplicam os anseios

Vem-me estranho contentamento,
Vou bebendo da dor de quem evita
Um sentimento que já o habita
Tal qual um dia frio e nevoento

O que estes oceanos nos reservam
Atrás das suas luzes dos arrebóis
Dispersos na imensidão dos lençóis
Das correntezas que nos embalam

Liricamente se agitam as marés
Bailando nas correntes marítimas
Então vejo as belas obras-primas
Sendo esculpidas no meu convés

O convés é o coração marinheiro
Obras-primas são as paisagens
As marcas das mais loucas viagens
Do meu espírito aventureiro...

Sem direção escrevo o destino
Nas tábuas da vida, mas a alma,
Somente perto do mar fica calma
Nele me sinto um simples menino...

domingo, 4 de setembro de 2011

Uma só vida


Uma só vida


Rema coração! Rema, rema
Pra fora destas correntezas
Dos mares das tuas incertezas
Rema, rema, este é nosso lema

Navegue pobre alma dos mares
E busque sempre a liberdade
Também é mareante a saudade
Então não te percas em bares

Veleje ó corpo incansavelmente
Lugar da sala de máquinas
Pra não te afogar nas lástimas
Da tua louca capitã a “mente”

Explore capitã os extremos
Oceanos deste imenso mundo
Do mais raso até o mais profundo,
Pois, é só uma vida que temos!