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segunda-feira, 23 de maio de 2016

As brumas do Destino vol 04 - Odes à Maciez das Brumas Claras (poema 01)

 
-1-
Apaga-me nas fontes caudalosas
sob o julgo dos lábios sedentos.
Emana o vale fértil de rebentos
envolto a calda de amoras sedosas,
sopra-me avivamentos.
Afaga-me no suspiro amoroso,
ó flor silvestre, cólera de ardores!
As estrelas soam ternos tenores,
banha a alma num abraço sedoso,
              dê-me falsos pudores.
Renda-me no mar da delicadeza
no silvestre fogo de chão forjada,
ser sólida e voraz, porém alada,
de palpitar feroz, ar de nobreza,
faz-me sua morada.


Joselito de Souza Bertoglio.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

MINHA FANTASIA É VOCÊ


MINHA FANTASIA É VOCÊ





Despi-me de mim mesmo

E me revesti em tua pele

(como um lírio silvestre)



Se de ti se veste minha pele

Dela verte o suor sagrado,

(o carnaval da paixão)



Mãos que acariciam,

Mãos que arranham

(precipitam-se)



Revestindo-me de ti

Descobri que na verdade

És tu que se reveste de mim



(do lírio silvestre tu és as pétalas

e eu sou o caule no ápice do amor)...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

DISFARCE


 
Disfarce


Entre enlaces
E mil disfarces,
Desejo-te...
Renegando,
Chamo-te
Discretamente...

Devotadamente
Num olhar sutil
Sem nem saber,
Por que te chamo!

Nos teus disfarces,
Mostras as fases
De um amor febril.
Então te chamo
Fervorosamente...

Envolto nas faces
De meus disfarces,
Imito todas as faces
Dos teus disfarces
Inconscientemente.

Palavras ao vento,
Gestos contraditórios
Revelam-se segredos.
Ai como eu te amo!
Amo inegavelmente...

Pode ser em pensamento
Com meus olhos ledos
Teus sorrisos, 
Ou só por fascínio...
Perco o domínio.

Sobre os disfarces
De nossas faces,
Voraz enlace
Devora-nos
Incessantemente
Em vaidades.

Se nos perdemos,
Ou esquecemos
De nos lembrar
Que nos amamos
É assustador.

Nas suavidades
Dos teus lábios,
Cálidos vestígios
Que vertem sabores.
Inexplicavelmente...

aí, aí, disfarces,
Faces do enlace
Louco furor,
Plácido sentir,
E este nos é
Tão divergente!

Consumimo-nos,
Fogo abrasador,
De repente, nos esvaímos
Como quem se fica
À margem de si mesmo,

Num disfarce de fases.
Confesso-te que eu amo
Simplesmente
Em todas as faces
Dos teus disfarces...

Mesmo que se embacem
Os olhos com o impasse,
Que se desenlacem
As faces do teu disfarce...

Nos disfarces
Da minha face,
O súbito enlace
Das nossas faces
De um beijo
Forja-se o amor
Tão de repente...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Áspera Saudade

Áspera saudade


Aqui onde a luz do arco-íris se dissolve
E a percepção capta coisas da memória
Mesmo quando já não há mais história
Arde a áspera saudade não se absorve,

Ao partir e se repartir tão subitamente,
Alguém que por um tempo foi querido
Mas que a vida já deu o seu veredicto
Deixando a áspera saudade do ausente

Sem perceber diante do nosso semblante
A vida rasgando o tempo como um pavio
Ás vezes traz de volta algo que já partiu
E vem a tona a áspera saudade dissonante...

As promessas feitas, frases mal concluídas,
Rostos repartidos, os sorrisos emudecidos
Perdem-se pelos caminhos desconhecidos
Das ásperas saudades sobre a alma caídas...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Regresso


Regresso


Aqui, sentado,
Olhando as fuligens
A bailar no vento,
Causam-me vertigens
Prenunciam a chuvas...

Certo de estar
Acordado, passo
Por meus sonhos
Despercebido,
É um sonhar acordado,
Inoperante,
Mas acontecido...

Egresso das clausuras
Da humana percepção
Do tempo, numa viagem
Ingresso na distorcida
Realidade retorcida
Crio uma nova paisagem,
Nas insanas loucuras
Do pensamento delirante.

Enquanto os ventos
Sopram as folhas
Faço minhas escolhas
Entre tantos atos falhos
Ouço o som dos passos
De meus pés descalços
Pisando nos cascalhos
Gemendo gargalhadas...

Aqui, o sentido
É não ter sentido,
É como uma cigana
Tenta lê a mão,
De quem já não
Reconhece a razão,

Pois, já não há destino
Para um andarilho
Que deixou os trilhos
Da linha reta
Da correta percepção...

Ao final
É tortuoso
O regresso
A monótona
Realidade
Da razão...
Então busco
Um resquício
Do delírio
Que me banhou...