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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Ventos do Acaso VI

VI


Suave é ser como o mar que beija a areia
E de onda em onda segue o seu caminho
Sem pensar, sem pesar, segue sozinho...
Reluz formosamente na lua cheia

Dia e noite em seu ventre a vida pastoreia
Brada a mansidão no seu azul clarinho
Queria ter as asas de um passarinho
Que sobre tuas águas mansas devaneia

Ah como seriam doces as revoadas
Borbulhando sutilmente em espumas
E ser por ser somente e nada além

Aspergir-me em partículas aladas
Dissipar-me no céu em chuvas e brumas
Sem princípio, sem fim, sem mal, sem bem...


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ventos do Acaso V

V

Breve destino, forja do momento
Dócil volúpia do ser tão volátil
Viver a vida num traço versátil
Moldando-se pra cada movimento
                      
Os astros bailam pelo firmamento
Fizemos um horóscopo retrátil
Pra ter em mãos um destino portátil
Apenas pra forjar um sentimento...

Um futuro desenhado em instantes
Contém passado presente e futuro
A fórmula mágica do destino

Traçam o mais perfeito figurino
E(vidente)mente vê atrás do escuro
Vis corjas forjam previsões farsantes...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ventos do Acaso IV


IV

Sou navegante do tempo e do mundo,
E de cais em cais eu peço alimento,
Sou fiel habitante deste momento,
Navegando por este mar sem fundo...

Temo terminar como moribundo,
A vagar pelo cais do esquecimento
Sem corpo, sem alma, sem sentimento
E das tristes despedidas oriundo...

 Vão navegante do tempo, do espaço
Andarilho das trilhas deste acaso
E de seus vastos oceanos frementes

Em que sou poeta das noites silentes
Em nobres quanto breves pensamentos
Que mudam conforme o sopro dos ventos...

Ventos do acaso III


III

Sim! Eu sou o vento solto pelo acaso
Sem deixar rastro, vasto, sou indomável
Seguindo o caminho mais improvável
Sempre pelas arrestas do descaso...

Um coração mortal forjado em aço
Batendo sempre de forma invariável
Nas asas de um vento que é sempre afável
Voando no tempo e disperso no espaço

Vivendo só no segundo e no instante
E trago sempre em mãos o meu destino
Sem qualquer medo do que seja o futuro

Que não passa de um enorme vão escuro
No qual não terá sequer um franzino
De meus pés, será sempre um passo errante...

Ventos do Acaso II


II

Quão plácidas são as horas que perdemos
Sentindo tocar nossa face o vento
Quando não resta nenhum pensamento
Das iludidas verdades que temos

São inúteis tantas coisas que sabemos
Se só de sabê-las já traz tormento
Portanto perdê-las é grande alento
A cada segundo em que nós vivemos

Nada mais além disso nos compete
Do que só viver por viver somente
Do resto é sentir ou viver em vão

Ventos do Acaso



I

Mestre não mais do que en vão a vida passa
Diante de nós tal qual um relâmpago
Rasgando vorazmente nosso âmago
Somente uma pequena luz escassa

Que nos importa se é fogo ou só brasa?
Se me é um rio raso ou um profundo lago?
De que me vale as coisas que me indago
Se me são todas as coisas sem graça?

De tudo que esta vida me consente
Consentindo-me tão somente em vão
Pois tudo passa sempre indiferente

Sem quaisquer dúvidas trago o destino
Em mãos, como o mais simples artesão
Que desenha o seu próprio figurino...