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quinta-feira, 22 de março de 2012

PRONUNCIA-SE


PRONUNCIA-SE o dia num lindo arrebol
No frêmito das tulipas ao sol
E pelos rubis azuis - esverdeados
Encontro um espelho pra minha alma,
Pelos longos fios loiros de ouro alados
Um universo controverso (a calma)...

E num alvoroço o dia pede pressa
Só pra mais uma rápida conversa
E numa nuvem branca se dispersa
(quem tão de repente está às avessas)

O tempo dispara como uma lança
Para dar um sopro o vento que espera
Depois de tanto pairar a calmaria
Súbito num louco bater alcança
Da flor o amor, a sua mais doce iguaria...

segunda-feira, 19 de março de 2012

TEUS OLHOS


TEUS OLHOS que outrora pairava tanta vida
Estão frios como as brancas florestas de Asgard
São como os de uma linda loba sempre à espreita...

E o fundo do seu olhar é como trilha estreita
Olhá-lo é como caminhar numa caverna
Onde não tem mais que um silêncio implacável
Varrendo as ruas como uma voraz avalanche

Antes de suspirar em mim a luz do dia
Como uma vã brisa pelo prado longínquo
Esvaem-se as esperanças de dias melhores,

Como relâmpago cruzando os pensamentos
As nossas velhas noites se vão como folhas
Por primaveras que a cada dia mais distantes

Da sua lembrança não me restou mais que um sopro
Que se propaga num eco oco no horizonte
Resquícios soltos num verso pelo universo...

segunda-feira, 5 de março de 2012

NOS OLHOS


NOS OLHOS imóveis

Correm pensamentos

(o fascínio)



Veem pétalas ledas,

Exalam perfume

(o vestígio)



Nos olhos que lúmen

Nas formas di(amante)

(como um vício)



Olhares se envolvem

E depois se evitam

(o exercício)



Na aresta dos rostos

Tímido sorriso

(um indício)



Nasce deste brilho

A mais fina chama

(um resquício)



Num olhar nascente

Brota o sol fervente

(no princípio)



Sopra então o destino

Nas asas do acaso

(um auxílio)



Pétalas ao vento

São os cabelos vernais

(como um pávio)



De repente acende

Algo já dormente

(num assovio)



Ao flamar da chama

Aos poucos consome

(o precipício)



Como tempestade

Vai varrendo tudo

(um anúncio)



Dos rostos virados

O sentido oposto

(nasce o exílio)